terça-feira, 30 de junho de 2009


A melhor e mais ampla maneira de se ver as coisas é com o coração.
O coração não distingue cores ou faces.
Não olha sobre as coisas, olha dentro delas.
Não pensa se há regras ou leis ... apenas escolhe...olha e segue por caminhos que
nunca nossa mente habitou ou imaginou...
Ele não pensa, apenas sente.
Não julga, não condena, não compete...
O coração ama...incondicionalmente...

Um sol de domingo...

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quinta-feira, 4 de junho de 2009


Procuro em mim o que não sei o quê...
Chega a doer a procura, que seria?
o não encontrar?
se encontrar é dentro, mas a dor
se reflete fora.
O lobo chora e a alma clama.
Onde é noite? onde é dia?
Quando será o dia?

Tem um espelho em minha casa,
onde miro o meu silêncio,
onde escuto a minha cara.
O olho é triste, o olhar se encerra...
eu me quero, eu não me acho.
Nos vários caminhos,
o medo de voltar...
o espelho espelha...e espera.
como e quando?
Eu vejo a luz da noite.
Onde é o dia?

Olívia Ventura

terça-feira, 19 de maio de 2009

ANANDA


Abre-se, de repente, a porta.
Da casa, varanda afora,
corre uma sombra pequena e esguia!
rodopia, uma flor farfalha...
o vento guia...a pluma voa...magia...
-Vem, menina!!!- a mãe que chama.
Mãozinha leve toca
a mão que leva, firme...carinhosa.
A flor sossega...o vento sopra
e a porta fecha.

quarta-feira, 13 de maio de 2009


Dentro da noite veloz, o silêncio de sons e sombras desliza
em cores enluaradas através da trilha brilhante.
A madrugada traz sentimentos escondidos, fantasias,
pensamentos e sonhos, enquanto as estrelas vibram
num maravilhoso tom celestial e misteriosamente
lindo...
Minha sombra se confunde entre os vultos, numa dança
mágica.
Enquanto seres noturnos velam pelos amores secretos,
lagartas aguardam a luz do dia para voarem, livres
borboletas...
E a música da Terra soa pura, tocada por anjos
e cantada por fadas.
As árvores tecem o mantra dos ventos,
apontando o Céu como um louvor à natureza,
lembrando
que cada momento é abençoado pelo UNIverso
e que cada ser vivo é iluminado!!

(Este texto eu dedico ao meu Anjo, que
sempre vela por mim...)

HARIBOL!!!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O que diria Nelson Rodrigues?



Ah, as mulheres Rodriguianas com suas frases que traduziam
toda a podridão escondida, velada e ordinariamente reprimida
por pais hipócritas, maridos machistas e a porca regra do
"conserve sua pureza, mesmo que isto lhe custe toda a sujeira
das sarjetas imundas da Alma!"
Nelson debulhava todas essas hipocrisias em suas frases
e histórias, descarando padres tarados, pedófilos,
desencarnando a falsa santidade das esposas mal amadas,
arrastando na lama a LAMA que pode ser o "SER" humano...
Saudades de Nelson Rodrigues...o que diria ele, se vivo fosse ainda,
da triste realidade que vive o homem agora?
Quando políticos, não têm nenhum escrúpulo, ladrões
de dinheiro e de almas...arrebanhando ovelhas,
jogam-nas aos porcos para que as fecundem,
gerando assim mais e mais ratos corruptos!
Estamos podres!
Apontamos os erros alheios cometendo os nossos
no dia a dia de nossa escuridão.
Estamos velhos!
Ainda conservamos valores e mentiras,
os mesmos que, um dia, abominamos em nossos pais!
Estamos perdidos!
e o caminho que seguimos está cheio de lixo
e vermes que se alimentam de crianças.
Estamos pobres!
Jogamos nosso dinheiro em carros e roupas caras,
para esconder nossa falta de auto estima e auto confiança.
Estamos tristes!
Terapeutas, pastores, falsos profetas, igrejas e médicos canalhas
enriquecem com soluções mentirosas para a nossa salvação!
Estamos burros!
Ouvimos música de baixo nível, lemos e engolimos restos,
enaltecendo a ignorância e cultuando deuses de barro...
Estamos sós, estamos cegos.
Pobres mendigos
chafurdando na sarjeta de nossa própria obra inacabada!
Pensando bem... melhor deixar o Nelson onde ele está,
porque assim não corremos o risco de nos macular os sentidos
quando ele berrasse as verdades de nossa incontestável fragilidade
diante dos demônios que nós mesmos criamos e que agora,
assustados, não conseguimos enfrentar!!!

Olívia Ventura.


terça-feira, 28 de abril de 2009


A noite veio, mãe!
e quando a porta se abriu,
já mudadas as coisas,
adiante a vida ia.
Da vidraça, então, eu vi
entre os reflexos do fogo que ardia,
minhas palavras, meus segredos,
minhas dores e delícias...
tudo se queimando,
soprando cinzas ao crepitar das chamas!
Você leu, mãe, mas não me viu,
muito menos ouviu meu coração
tão apertado ele estava, mãe!
Você nunca me falou das flores,
não me mostrou escolhas,
nem me apontou a estrada.
Quando tomei um rumo,
não me olhou pela janela.
E quando,
já mudada a vida
e adiante as coisas iam...
também você se foi!
Difícil, para você, o Amor,
difícil o Amor para mim...
Hoje já é o seu amanhã,
vejo seu rosto na janela agora
entre cinzas, segredos e palavras,
que o vento insiste em açoitar...
palavras minhas, mãe,
que sussurro como prece ao seu silêncio!

Olívia Ventura